segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Escola pública de São Paulo faz sucesso com modelo luso

23/1/2009 -09h32
.A Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, no bairro do Butantã, zona oeste, adaptou à realidade brasileira algumas propostas da Escola da Ponte, em Vila das Aves (Porto), famosa nos meios acadêmicos pelo modelo de escola inclusiva.


"Tínhamos uma escola com paredes da cor cinza, fechada à participação comunitária, sem propostas para lidar com a indisciplina dos estudantes", disse à Agência Lusa a diretora, Ana Elisa Siqueira.

"Era caótico, um quadro assustador, onde o desrespeito aos educadores era o grande problema de indisciplina dos estudantes, não existiam princípios claros e todo mundo achava que podia fazer tudo".

O projeto contou com o apoio dos responsáveis pelas mais de 1,3 mil escolas públicas de São Paulo, o que possibilitou um intercâmbio entre os educadores das duas escolas, com visitas de especialistas brasileiros ao Porto.

Sem portões Atualmente, as paredes escuras deram lugar aos tons coloridos, os portões foram abertos à comunidade e a decoração ganhou azulejos pintados por alguns dos 800 estudantes do ensino básico (dos seis aos 16 anos).
No auditório, um painel gigante põe em destaque uma "Carta de Princípios de Convivência", elaborada pelos próprios estudantes, com regras que devem ser observadas por todos no convívio diário.

ConselhoOs pais dos estudantes passaram a ter voz ativa no Conselho Gestor, freqüentam o espaço e promovem encontros periódicos.Às sextas-feiras, os pais promovem partidas de futebol, seguidas de confraternização, cujo cardápio inclui pizzas assadas num forno de lenha, especialmente construído na escola.

Os primeiros resultados dessa revolução educacional já começam a aparecer, com a recente aprovação de seis estudantes da escola num processo seletivo de uma das mais concorridas unidades públicas de ensino técnico de São Paulo.

Na opinião de Elisa Siqueira, a proposta pedagógica da Escola da Ponte é generosa, tem princípios norteadores que podem ser adaptados em diferentes realidades para a construção de uma escola pela cidadania."Mas sabemos que os resultados efetivos levam muito tempo, pelos menos uns 20 anos para consolidar essa nova forma de pensar o ensino público no Brasil", concluiu.

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