Enem: rumo certo?
Parte I
Rodrigo Travitzki *
A prova do Exame Nacional do Ensino Médio deve -se contemplar não só as muitas realidades do país , mas também objetivos não necessariamente harmônicos entre si.
A prova do Exame Nacional do Ensino Médio deve -se contemplar não só as muitas realidades do país , mas também objetivos não necessariamente harmônicos entre si.
O exame tem como função medir o conhecimento significativo dos jovens e, ao mesmo tempo, representar certos valores educacionais. Esses objetivos podem criar dilemas familiares para o professor que elabora sua avaliação com calma.
Afinal, embora busque representar um conhecimento "universal", este deve estar enraizado em sua realidade local.
"Será que eu pergunto sobre o que eles mais gostaram ou sobre aquela coisa importante que muitos não entenderam bem? Que mensagem essa prova passará para as turmas?"
Cada professor lida com tais dilemas à sua maneira. Mas se pensarmos nessas perguntas para o Brasil, país em que a cultura escolar ainda é restrita a poucos, os dois objetivos são forças que podem levar à caminhos opostos.
E, ao que parece, o Enem 2008 não conseguiu encontrar o equilíbrio entre essas forças, pendendo demais para um dos lados. O resultado foi uma prova que, em muitas questões, valorizou mais as culturas midiática e televisiva do que a chamada "cultura escolar".
Bem, se o exame mais importante da Educação Básica avalia conhecimentos que podem ser adquiridos pela televisão, como poderemos tornar nosso país mais escolarizado? É a escola que deve se adaptar ao aluno/professor pouco escolarizado ou é o contrário? Como encontrar equilíbrio entre esses dois extremos?
Partindo do pressuposto de que o Enem é um importante balizador dos conteúdos escolares, da opinião pública do mercado, proponho fazer um contraponto a partir da análise de algumas questões da prova.
Vamos ao ponto. De maneira geral, três tipos de problemas foram identificados:
a) enunciados com textos longos, que não caracterizam uma situação-problema e estão "descolados" das alternativas - ponto especialmente problemático numa prova longa e cansativa;
b) questões exigindo mobilização de conteúdos específicos que não se constituem em conceitos nucleares na organização curricular da Educação Básica;
c) questões que estão respondidas no próprio enunciado. Além disso, há o problema mais geral, a valorização excessiva da "cultura televisiva", que corre paralela à desvalorização da cultura escolar. Vejamos alguns exemplos, tomando a prova amarela como base para o número das questões.
*Professor do Colégio Equipe, de São Paulo.
Fonte: Revista Educação Edição 142

Nenhum comentário:
Postar um comentário