domingo, 1 de fevereiro de 2009

Nostalgia do meu tempo de grupo escolar

Iza Aparecida Saliés

Como filha de professora normalista, tive uma formação familiar e educacional pautada no rigor do capricho, tinha que ser comportada, fazer tarefa mesmo chorando, ter que ler livros, decorar os pontos da escola, passa o caderno de ponto a limpo e ainda mais, ficar quieta na sala de aula, o que era cruel para mim. Ah! Que dificuldade.


Por ser canhota, sofri muito com os antigos cadernos de pontos, tínhamos que passar a limpo quase todos os dias, e só para dar um passeio pelo tempo, quero lembra que naquela época, usávamos caneta tinteiro, então, eu chorava, rasgava folhas do caderno, e ainda mais, ficava com o caderno e as mãos todas borradas de tinta.

Já no ginásio as dificuldades eram outras, estudar o ponto para a prova oral, tínhamos que falar o ponto inteiro sobre a Independência do Brasil, ou seja, os temas que a professora escolhia, tudo isso, era realizado na sala de aula, caso errassemos éramos repreendidos(as) na frete de todos. Sem dó e sem traumas.

Nada de ficar revoltada porque levou bronca da professora na sala de aula, gozação, essa nem podia fazer na sala, só no corredor, no intervalo. Hoje fico relembrando, como éramos obedientes, passivos, tínhamos respeito pelo professor, não fazíamos gracinha perto dele e nem respondia com atrevimento, senão ia para a diretoria para levar três dias de suspensão, na caderneta.

Com a trajetória do ginásio para o magistério, a coisa passa a ser diferente, isso vai acontecer na década de setenta, quase no final eu estava comemorando minha formatura do magistério, em meio a muitas colegas de turma, todas eufóricas com mais uma etapa vencida, feliz por ter conquistado uma profissão permeada de ilusões, desejos e utopias, e com dúvidas de como faria para utilizar esses conhecimentos, sendo que nosso destino ( as moças de família), naquela época tinha que formar e casar, quiça trabalhar como professora ?
*Parte I

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